Primeiras idéias sobre a continuidade da vida

As perguntas sobre como os seres vivos transferem suas características para os seus descendentes sempre foram alvo de muita especulação desde o início das civilizações.

Os filósofos gregos e a pangênese

Hipócrates (460-370 a.C.) defendia a hipótese da pangênese, segundo a qual cada órgão ou parte do corpo de um ser vivo produziria uma gêmula que conteria as informações para a formação dessa parte ou órgão. Assim, um organismo macho ou fêmea, geraria diferentes gêmulas contendo informações sobre as características inatas e aquelas adquiridas pelo organismo ao longo da vida.  Essas gêmulas seriam repassadas aos órgãos reprodutores e transmitidas aos descendentes. Isso explicaria as semelhanças entre pais e filhos.

Aristóteles (384-322 a.C.), filósofo que criticou a pangênese. Propôs 4 tipos de reprodução entre os seres vivos:

– reprodução assexuada por brotamento;

– reprodução sexuada com cópula;

– reprodução sexuada sem cópula;

– geração espontânea ou abiogênese.

A hipótese da pangênese foi aceita até o século XIX.

William Harvey (1578-1657), segundo ele, todo animal se originaria a partir de um ovo produzido pela fêmea e fertilizado pelo sêmen do macho. Essa idéia se contrapunha à da geração espontânea, teoria aceita por muitos pesquisadores da época.

Com a aceitação das idéias de Harvey surgiram duas teorias: a teoria da epigênese, segundo a qual os embriões se formavam nos ovos a partir de uma matéria indiferenciada e homogênea; e a teoria da pré-formação, segundo a qual em um dos gametas, feminino ou masculino, já havia um ser pré-formado. Essas duas teorias, embora conflitantes, foram fundamentais para a compreensão da hereditariedade, pois a partir delas formularam-se hipóteses sobre a presença de material hereditário nos gametas, o que levou a novos questionamentos e a pesquisas sobre essas células.