Texto Controle Biológico

As moscas-dos-chifres: um exemplo de controle biológico

Espécies não nativas (exóticas), quando introduzidas em uma certa região, podem causar sérios problemas ecológicos, tornando-se verdadeiras pragas. Isso porque elas não têm inimigos naturais no novo ambiente, o que permite que se reproduzam de forma explosiva. Vamos citar um exemplo brasileiro, que tem causado muitos prejuízos aos criadores de gado.

A mosca-dos-chifres (Haematobia irritans) é um inseto hematófago (que se alimenta de sangue) que ataca principalmente o gado. A picada é dolorosa e causa desconforto aos animais que, em consequência, se alimentam e dormem mal. O resultado é uma redução de 30% a 40% na produção de carne e de leite. O nome mosca-dos-chifres deve-se ao fato de que esse inseto, na Europa, ataca de preferência a base dos chifres dos animais. Aqui no Brasil, no entanto, ela pica o gado em praticamente todo o corpo.

Originária da África, a mosca chegou à Europa e, por meio das importações de gado, alcançou os Estados Unidos no fim do século XIX, alastrando-se até a América do Sul. Sua presença foi detectada no Brasil pela primeira vez em 1978, em Roraima. Hoje ela é encontrada em praticamente todo o país. Isso porque as moscas-dos-chifres se propagam facilmente por meio de boiadas em trânsito ou até caminhões boiadeiros.

Para livrar o gado dessas moscas, adotou-se a medida clássica: o inseticida. Existem, no entanto, muitos inconvenientes, já que essa substância deixa resíduos na carne e no leite, além de provocar danos ambientais.

Os pesquisadores têm tentado apelar para o controle biológico, que consiste em introduzir no ambiente um inimigo da praga, com a intenção de impedir o crescimento exagerado de sua população.

Veja um exemplo de como o controle biológico pode ser efetuado. Na época de reprodução, as fêmeas da mosca-dos-chifres colocam seus ovos no esterco do gado, onde suas larvas se desenvolvem. Em 1989, o Centro Nacional de Gado de Corte da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Campo Grande (MS), importou besouros rola-bosta (Digitonthophagus gazella) da África. Esses besouros alimentam-se do esterco do gado, sugando a parte líquida da massa fecal, ou o enterram. Quebra-se dessa maneira, o ciclo reprodutivo da mosca-dos-chifres, já que suas larvas não têm onde se desenvolver. Além disso, ao enterrarem o esterco, os besouros enriquecem o solo em nitrogênio.

Há, entretanto, uma dificuldade. O rola-bosta é sensível à maioria dos remédios utilizados para tratar as verminoses do gado, e morre quando se alimenta de fezes com resíduos desses produtos. No entanto, foi lançado no mercado um biocida que, ao mesmo tempo em que trata dos parasitas do gado, é inofensivo aos besouros. A Embrapa Cerrados, associada à empresa que lançou o biocida, tem realizado campanhas, junto aos criadores, para incentivar o controle ecologicamente correto da mosca-dos-chifres, por meio da liberação de besouros no pasto. Os resultados vêm sendo animadores, pois criadores de gado que utilizam os besouros fornecidos pela Embrapa têm conseguido diminuir o consumo de remédios e inseticidas, reduzindo seus custos em 50%.

Como base na leitura dos textos, responda:

  1. Como se chamam as espécies que não são nativas e viram pragas?
  2. Quais são os problemas causados pela mosca-dos-chifres?
  3. Qual é o local de origem da mosca-dos-chifres?
  4. Na Europa, a mosca-dos-chifres é nativa ou exótica?
  5. No Brasil, a mosca-dos-chifres é nativa ou exótica?
  6. Como a mosca-dos-chifres foi parar na Europa?
  7. Como os criadores de gado tentam se livrar dessa mosca?
  8. O que é o controle biológico?
  9. Explique como o controle biológico pode ser utilizado para atacar a mosca-dos-chifres.
  10. O besouro rola-bosta é uma espécie nativa ou exótica?

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