Estudar o peixe-zebra pode ajudar a compreender problemas psiquiátricos

Cientistas da Escola de Ciências Químicas e Biológicas Queen Mary, da Universidade de Londres, mostraram que o peixe-zebra (Danio rerio) pode ser usado para estudar as causas subjacentes às desordens psiquiátricas. O estudo publicado no jornal «Behavioural Brain Research» revela que o peixe-zebra pode modificar o seu comportamento em resposta a situações diversas.

A responsável pelo estudo, Caroline Brennan explica que o peixe-zebra se está a tornar um dos modelos animais mais úteis para o estudar o desenvolvimento dos mecanismos genéticos subjacentes a várias desordens de foro psiquiátrico.

Os investigadores utilizaram 15 peixes-zebra numa série de experiências que envolveram a escolha de cores. Conseguiram que o peixe aprendesse a escolher a cores que lhe dava direito a comida. Reverteram depois as cores e os animais alteraram a sua escolha para a correta. Na segunda fase, introduziram duas novas cores e recomeçaram o processo.

Os peixes foram capazes de mudar o seu comportamento em conformidade, aprendendo de uma forma mais rápida do que na primeira fase. A este processo os psicólogos chamam “flexibilidade comportamental”. A investigação põe em causa estudos anteriores que sugeriam que os peixes não eram capazes realizar este processo, ao contrário dos mamíferos, porque não possuem córtex pré-frontal.

Problemas de flexibilidade comportamental e os défices de atenção são, em geral, sintomas-chave apresentados por pessoas que sofrem de desordens relacionadas com o controlo dos impulsos (como comportamentos aditivos), défice de atenção e hiperatividade e algumas desordens de personalidade”, explica Brennan.

Os resultados sugerem que o peixe-zebra pode desempenhar um papel como modelo comparativo para o estudo das causas e realização de prognósticos de algumas desordens. O peixe-zebra é muitas vezes utilizado por neurocientistas para a investigação de mecanismos de controlo comportamental e na procura de novos componentes para o tratamento de doenças como a adição, o défice de atenção ou o autismo.

Fonte: <http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=54230&op=all>

Deixe uma resposta