Composto JQ1 inibe produção de espermatozóides sem afetar a reprodução

70 por cento dos homens estão dispostos a tomar uma pílula anticoncepcional

Está para breve a realidade em que um homem pode tomar a sua própria pílula anticoncepcional sem efeitos colaterais, avança um estudo feito por um grupo de cientistas da Universidade do Texas A & M.

As experiências, realizadas em ratinhos, permitiram à equipe descobrir que um composto chamado JQ1 atua como um inibidor da produção de espermatozóides e, também, da mobilidade de esperma. “Estes dois são necessários para a fertilidade, mas o JQ1 previne ambos”, afirma Qinglei Li, professor assistente da Universidade do Texas A & M. O composto “parou a produção de esperma muito drasticamente. Outra boa notícia é que parece não existir quaisquer efeitos colaterais. Assim que o JQ1 parou de ser dado aos ratos, estes voltaram a ter uma taxa de reprodução normal e não ficaram afectados a nível do comportamento de acasalamento”.Embora os ratos tenham recebido injecções, os cientistas acreditam que uma pílula, eventualmente, pode ser desenvolvida para os mesmos resultados. A pílula anticoncepcional masculina é falada há anos, mas até agora nenhuma foi criada com êxito apesar de muito procurada. Estudos recentes têm mostrado que cerca de 70 por cento dos homens estariam dispostos a tomar uma pílula anticoncepcional, se esta estivesse disponível.

Um inconveniente de muitos contraceptivos femininos é o fato de estes, por vezes, interferirem com as hormônios, nomeadamente o estrogênio. Mas Qinglei Li diz que a equipe está confiante que o JQ1 não afeta os níveis de testosterona em homens e parece não ter outros efeitos colaterais também.

Como com muitas descobertas, o composto JQ1 parece ter surgido por acaso. Foi originalmente usado para tratamentos anti-cancro, mas os cientistas descobriram que era também um excelente composto no controle da fertilidade.

“Esta é uma etapa emocionante na contracepção masculina”, acrescenta o investigador. “Será agora necessário um composto com mais especificidade antes de poderem ser feitos ensaios clínicos em seres humanos”, acrescenta.

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